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TabWin Web — manual do usuário

Este manual descreve o que o programa faz hoje. Onde algo não é suportado, está dito que não é. Onde uma escolha existe mas não é óbvia, está dito qual é o padrão — porque um padrão invisível é uma armadilha, não uma conveniência.


1. O que é, em uma página

O TabWin Web tabula microdados públicos do DATASUS no navegador, seguindo a semântica do TabWin 4.15 do próprio DATASUS. Ele lê os arquivos que você já usa: .DBC, .DBF, .CSV, e os metadados legados .DEF, .CNV e .MAP.

Seus dados não saem do seu aparelho. A leitura e o cálculo acontecem no navegador. Quando você busca no catálogo oficial, o que trafega é o download do DATASUS para você — nunca os seus resultados para algum servidor. A tarja "Seus dados ficam neste aparelho" no topo da tela não é slogan; é a descrição do funcionamento.

Não precisa instalar nada e não precisa de internet depois que o arquivo está aberto.

Quando ele não é a ferramenta certa


2. Primeiro uso, em quatro passos

Tela inicial do TabWin Web, com a área para abrir arquivo e o painel de configuração à esquerda
A tela inicial. A tarja Seus dados ficam neste aparelho não é slogan: não existe servidor de dados neste programa.
  1. Abra um arquivo. Arraste um .DBC para a área tracejada, ou clique nela para escolher. Se você não tem um arquivo ainda, use Buscar no DATASUS (seção 3).
  2. A primeira tabela aparece sozinha. É uma frequência simples, para você ver que o arquivo abriu e que os números fazem sentido.
  3. Escolha linhas e colunas. Nos campos LINHAS e COLUNAS, à esquerda. O campo Buscar variável encontra por nome técnico (CS_SEXO) ou pelo rótulo legível.
  4. Troque a medida se precisar: frequência, soma de um campo, e outras.

Pronto — daí em diante é refinar.


3. Buscar dados no DATASUS

Diálogo de busca no DATASUS com sistema, tipo de dados, anos e UFs
O resumo diz quantas combinações serão consultadas e quanto tempo leva. Acima de 200, o programa pede confirmação antes de começar.
Resultados da busca no catálogo, com ações por arquivo e em lote
Baixar e abrir traz e tabula; Salvar .dbc só grava no computador, útil para levar o dado ao R ou ao Python.

Buscar no DATASUS abre o catálogo oficial. Você escolhe sistema (SINAN, SIM, SINASC, SIH, CNES…), tipo de dado, e ano ou período.

Alguns pontos que economizam tempo:

Salvar um arquivo sem abrir

Cada resultado tem Salvar .dbc ao lado de Baixar e abrir. Ele grava o arquivo no seu computador e para por aí — não monta tabulação nenhuma. É o caminho de quem vai usar o dado no R, no Python ou em outra máquina, e num arquivo de mais de 100 MB é justamente a etapa de abrir que pesa. Sai o .dbc de dentro do pacote, não o .zip como veio da rede.

Baixar em lote, e empacotar

Com mais de um resultado aparece uma barra com uma caixa por arquivo (todas marcadas) e duas ações, que agem sobre o que estiver escolhido — e há um selecionar todos para quem quer a lista inteira num clique:

Com nada marcado as duas ficam indisponíveis, em vez de rodarem vazias.

Baixar o que já está guardado

Em Downloads recentes, cada pacote guardado neste aparelho tem Baixar ao lado de Abrir offline. Querer o arquivo é diferente de querer analisá-lo aqui: o botão grava o .dbc em disco sem abrir a análise, para você levar o dado a outro programa. Com mais de um guardado, aparece Baixar tudo (.zip) no topo da lista.

Sai o arquivo que você reconhece — o .dbc de dentro do pacote —, não o .zip como veio da rede. Quando um pacote traz mais de um arquivo, sai um .zip, porque juntar arquivos distintos num nome só seria mentira.

Em ambas, uma falha não derruba o lote: o que falhou é nomeado e você pode retentar somente as falhas, sem baixar tudo de novo. Os .dbc entram no pacote sem recompressão, porque já são comprimidos.

Arquivos auxiliares (DEF e CNV)

Os .DEF e .CNV são o que transforma código em nome legível: 1 vira Masculino, A519 vira o capítulo da CID-10.

Se um arquivo do pacote for grande demais para caber na memória da aba junto com os dados, ele fica de fora — com aviso, nomeando o arquivo e o tamanho — e ganha um botão Baixar arquivo para você salvá-lo e usar fora do navegador. O resto do pacote abre normalmente. A consequência prática de ficar sem ele: algum rótulo pode aparecer pelo código em vez do nome.

Downloader local (opcional)

Quando o navegador não consegue concluir um download — instabilidade do servidor oficial, tempo esgotado, arquivo muito grande, conexão que cai no meio — existe um auxiliar que roda na sua máquina e termina o trabalho.

Ele é opcional e você quem inicia: a página nunca executa nada sozinha, e nem sequer verifica se ele está rodando antes de você pedir. Depois de iniciar o auxiliar, cole em Downloader local o token que ele imprime e clique em Verificar. A partir daí, uma falha que ele plausivelmente resolva passa a oferecer "Baixar com o downloader local".

O arquivo vai para o disco, não para dentro da aba: uma página não lê arquivo do computador sem que você o escolha. O aplicativo diz onde ele caiu, e você o abre normalmente pela área "Abra seu arquivo".

Instalação, endereços que ele pode acessar e modelo de ameaça estão em apps/tabwin-bridge/README.md.


4. Montar a tabela

Aplicativo com o arquivo DOINF23 aberto, mostrando registros, campos, tamanho e SHA-256
DOINF23 aberto: 32.017 registros, 87 campos, e o SHA-256 do arquivo. Esse código identifica exatamente o que você abriu, e vai junto na exportação.
Tabela cruzada de sexo por raça e cor, com totais por coluna
Sexo cruzado com raça/cor. Os códigos aparecem como estão no arquivo porque nenhum CNV foi carregado — o programa não adivinha que 1 significa “masculino”.
Painel lateral com linhas, colunas, medida, filtros, limpeza, regras cruzadas e transformações
O painel de configuração. O texto ao lado de cada seção recolhida — “nenhum”, “não destrutiva”, “nenhuma etapa” — diz o estado sem precisar abrir.
ControleO que faz
Linhasa variável que vira as linhas
Colunasa variável que cruza (opcional — "Sem colunas" é válido)
Rótulos / conversãoqual CNV aplicar; "Valores originais" mostra o código cru
Medidafrequência, soma de um campo, e outras
Definição (DEF) ativaqual DEF manda, quando você tem mais de um aberto

Não classificados

Quando a CNV não cobre todo o domínio da variável — existe código no dado que nenhuma categoria captura — você decide o que acontece:

Não existe terceira opção silenciosa. O total de registros lidos e aceitos fica sempre visível, então a diferença entre os dois é auditável.

Supressão de linhas zeradas

Ligada, esconde linhas cujo valor é zero em todas as colunas. Desligada, o TabWin Web mostra todas as categorias que a CNV declara, inclusive as vazias — que é o que o TabWin 4.15 faz.

Medidas adicionais lado a lado

Abre mais de uma medida na mesma tabela (por exemplo frequência e soma de valor), em colunas paralelas.


5. Filtros e seleções

Seção de filtros e seleções aberta, com a lista de valores do campo escolhido
Filtro por valores. A lista mostra o que existe no arquivo, com busca para campos de muitas categorias.

Filtros e seleções aceita:

Todo filtro ativo aparece listado, com um ✕ para remover. Nenhum filtro fica aplicado sem estar visível nessa lista.


6. Limpeza assistida e qualidade

Limpeza assistida examina os dados e relata o que encontrou: campos com ausência alta, códigos fora de domínio, datas impossíveis. Ele relata; a decisão de agir é sua, e cada ação vira uma etapa visível.

Combinações raras encontra cruzamentos de valores que aparecem pouquíssimas vezes — frequentemente erro de digitação, às vezes achado real.


7. Transformar dados

Seção de transformação de dados, com seleção do tipo de etapa e configuração
Diferente do filtro: aqui as etapas alteram o conjunto, entram numa lista na ordem aplicada, e podem ser desfeitas.

Transformar dados é um pipeline no estilo dplyr/pandas, aplicado sobre os registros antes da tabulação. Onze verbos:

VerboPara quê
selecionar colunasficar só com o que interessa
filtrar linhasrecortar registros
recodificartrocar valores por outros
marcar ausentesdeclarar que certo código significa "sem informação"
remover duplicadospor chave escolhida
campo calculadocriar coluna com fórmula (seção 8)
converter tipotexto ↔ número ↔ data
partes de dataextrair ano, mês, e semana epidemiológica (padrão MMWR/MS)
padronizar texto/códigonormalizar acento, caixa, e código IBGE de município
agrupar e resumircolapsar em uma linha por chave, com N e somas
empilhar / juntarbind_rows e join com outra base

O arquivo original nunca é alterado. O pipeline é uma receita aplicada na leitura; fechar e reabrir sem a receita devolve o dado cru.

Ver código equivalente mostra o pipeline escrito em dplyr e em pandas. Ele só exibe — não executa nada. Serve para levar a análise para o R ou o Python, ou para conferir se o que você montou é o que você queria.


8. Fórmulas estilo Excel

Campos calculados e colunas derivadas aceitam fórmulas com 57 funções: aritmética, texto, data, lógica (IF, IFERROR), estatística básica, e funções de análise (RATE, PERCENT, RATIO, CHANGE, PCTCHANGE, LAG, ZSCORE). Vários nomes existem em português e em inglês (ARRED/ROUND, CONT/COUNT, E/AND), então a fórmula aceita como você estiver acostumado a escrever.

Funções disponíveis lista todas, com descrição — e a lista é gerada pelo próprio motor, então ela nunca fica desatualizada em relação ao que funciona.

Duas coisas importantes:


9. As abas de resultado

Aba de gráfico com controles de tipo, eixos e exportação
O gráfico é sempre da tabela atual. Zoom, cores e limites de eixo são apresentação: nada aqui altera o número exportado.
Aba de estatística com seleção de operação e colunas
Descritivas, correlação, regressão e taxas padronizadas sobre as colunas da tabela.
Aba investigar, com seleção de campos numéricos, categóricos e geográficos
A detecção é pelo formato do sinal, não pelo assunto. Um placar aponta estranheza; decidir se é erro é julgamento de quem conhece o dado.
Aba de consulta SQL antes de carregar dados, com a lista de campos disponíveis
A aba Consulta antes de carregar. Num arquivo de 87 campos, a tela diz quantos cabem — carregar todos raramente é o que se quer.
Consulta SQL agrupando por causa básica, com o resultado em tabela
As oito causas básicas mais frequentes entre os óbitos infantis de 2023, em 135 ms. P369 é sepse bacteriana do recém-nascido.
Aba de auditoria com o registro de procedência e operações
De onde vieram os dados e o que foi feito com eles — para reproduzir o resultado depois e explicar como foi obtido.

Tabela — o resultado. Aqui também ficam as operações pós-tabela: totais, percentuais, renomear e mover colunas, ordenar, casas decimais, título e rodapé.

Gráfico — barras, linhas, pizza e outros, com editor de cores, fontes e rótulos. Exporta SVG e PNG.

Mapa — mapas temáticos a partir de .MAP legado ou GeoJSON, com classes de corte, legenda, seleção espacial e fluxos origem–destino.

Estatística — em Operação você escolhe: estatística descritiva, correlação de Pearson, regressão linear simples, histograma (com gaussiana ajustada quando cabe, e dizendo quando não cabe), e Taxas e padronização.

É em Taxas e padronização que mora a epidemiologia: taxa bruta com intervalo de confiança (Byar), padronização direta (população-padrão) e indireta (SMR, taxas de referência), e razão de taxas padronizadas.

Comparar — alinha duas tabelas por chave e mostra as diferenças. Reporta o que não casou dos dois lados. Nunca inventa zero para uma chave ausente, e divisão por ausente dá "—", não 0.

Investigar — auditoria estatística de um grupo contra o resto. O grupo é o resultado dos filtros e regras cruzadas ativos naquele momento; a referência é o restante do conjunto aberto. Você escolhe os campos numéricos e categóricos a examinar (e quais tratar como geografia) e executa.

A detecção é pela forma do sinal, não pelo assunto: o mesmo motor separa idades concentradas num só município, uma categoria rara demais em todo lugar, ou uma lacuna de preenchimento maior que o normal — seja qual for o grupo.

Duas coisas que a tela também diz, e que valem repetir: o placar não é probabilidade de erro nem gatilho automático, e nenhuma ação é tomada sozinha. A estatística aponta estranheza; decidir se é erro é julgamento de quem conhece o dado.

População padrão não vem embutida. Isso é escolha, não esquecimento: o programa não vai fabricar números de referência por você. Você fornece a sua população padrão como uma base e junta com join. Assim fica registrado qual padrão você usou — o que muda o resultado e precisa constar do método.

Auditoria — a procedência: arquivos abertos, hashes SHA-256, origem, hora de obtenção, e as etapas aplicadas. É o que você cola no método de um artigo. Traz também o histórico de tabulações da sessão, com comparação entre duas delas. Esse log é moderno, da sessão — não é uma reconstrução do .LST histórico do TabWin 4.15.


10. Salvar e reabrir

FormatoO que guarda
.twrecipe (Salvar análise)o plano inteiro: variáveis, filtros, conversões, e o pipeline de transformação
.twtable (Salvar tabela)o resultado calculado, para reabrir ou comparar
.DBF (Salvar seleção em DBF)os registros que passaram nos filtros
CSV / JSON / XLSX / XMLexportação do resultado
Microdatasus filtrado CSVos registros aceitos, no formato que o pacote microdatasus do R espera
Extrair DBF originalo DBF de dentro do DBC, sem alteração
Pacote para o Laba tabela mais um PROVENIENCIA.json (origem, hash das fontes, filtros e transformações), para analisar no Tabwin Lab

A receita carrega o pipeline junto. Sem isso ela reconstruiria uma tabela diferente enquanto afirma fidelidade à fonte — e uma receita que mente sobre isso é pior que nenhuma receita.

Levar para o Tabwin Lab

O Pacote para o Lab é um .zip com dados.csv e PROVENIENCIA.json. Existe em vez de um CSV solto por um motivo prático: um CSV sozinho é número sem origem — meses depois ninguém sabe qual arquivo do DATASUS o gerou, que filtros estavam ativos, nem se a coluna já vinha recodificada. A procedência responde isso por escrito, com o hash de cada fonte, para a análise poder ser citada.

Célula vazia significa ausente. Nenhum zero é fabricado para preencher lacuna — nem na exportação, nem na leitura do outro lado.

Abrir um .TAB do TabWin 4.15

Abrir tabela aceita tanto o .twtable deste aplicativo quanto um .TAB salvo pelo TabWin 4.15. A leitura foi verificada contra uma captura real do programa (golden G023).

O .TAB abre somente para leitura, e a razão importa: ele traz o resultado que o TabWin calculou, não os microdados. Dá para ver, formatar e exportar a tabela — mas Salvar análise fica desligado, porque uma receita que não reconstrói nada seria uma promessa falsa. A procedência que o próprio arquivo declara (DEF, arquivos, seleções) aparece acima da tabela, sem tradução: um código como Não_Classificados=0 continua um código, porque uma amostra não basta para mapeá-lo.

Se alguma célula estiver ilegível, o arquivo é recusado dizendo qual — preencher com zero inventaria um número que ninguém observou.

Escrever .TAB continua fora de escopo, até haver artefatos reais suficientes para provar quais campos são estáveis.


10.1 Onde ficam as ações secundárias

Para a barra lateral não ser uma pilha de botões de peso igual, as ações que não fazem parte do fluxo principal ficam em seções recolhíveis:

Nada foi removido; tudo está a um clique no cabeçalho da seção.


11. Editor de CNV e Inspetor de DEF

Editor de CNV cria e edita conversões com validação: categoria sem regra, sequência duplicada, alvo de subtotal inexistente e faixa sem limite superior são erros apontados com a linha de origem, não falhas silenciosas. Grava em Windows-1252, como o formato original exige.

Inspetor de DEF mostra o que um .DEF declara: opções de linha e coluna, incrementos, seleções, e quais conversões cada opção usa.


12. O que o programa promete e o que não promete

O projeto separa três coisas, e a interface também:

Nada vira "compatível" por suposição. Se você depende de equivalência exata com o TabWin para um uso específico, vale conferir em qual dessas três categorias ele cai.

Regras que valem em todo lugar do programa:

  1. Zero nunca é fabricado. Denominador zero, célula ilegível ou valor ausente aparecem como "—", nunca como 0. Zero é uma afirmação sobre o mundo, e o programa não faz afirmações que você não fez.
  2. Nada é amostrado em silêncio. Se algo foi limitado, truncado ou deixado de fora, está escrito na tela.
  3. Um padrão pode existir; um padrão invisível não.

13. Problemas comuns

"arquivo expandido grande demais" — um arquivo dentro do pacote não cabe na memória da aba. O resto do pacote abre normalmente; use Baixar arquivo para salvar aquele item e usá-lo fora do navegador.

Rótulo aparecendo como código — falta a CNV correspondente, ou ela ficou de fora do pacote. Verifique em Definição (DEF) ativa qual DEF está mandando, e se as conversões dele foram abertas.

Números diferentes do TabNet — o TabNet aplica filtros próprios (por exemplo, só casos confirmados) que não estão no microdado cru. Compare o que cada um está contando antes de concluir que há divergência.

A tabela veio vazia — geralmente é filtro. A contagem de registros lidos × aceitos, logo acima da tabela, mostra quantos sobreviveram aos filtros.

Aba travando com arquivo grande — use os filtros para reduzir antes de tabular, ou trabalhe por período.


14. Onde procurar mais